Quando pensamos em alimentação, é comum vir à mente apenas os  alimentos que são “permitidos ou proibidos”, os “ pode x não pode”, os que são “ bons ou ruins”… por outro lado, as tentações só aumentam…vitrines de doces incríveis, cheiro de pão quentinho que invade o nariz quando passamos por uma padaria… e com isso só aumenta a culpa de “ não conseguir resistir”.

O ponto que quero abordar é: Precisamos resistir a tudo que é “gostoso”?  Será que existem esses alimentos “ bons ou ruins”? Afinal… são bons para quê? E ruins para quê?

Para casais que pretendem engravidar, existem alimentos que ajudam, sim, a melhorar a qualidade do espermatozoide e do óvulo, mas será que todos os outros são proibidos?

Será que começar fazendo as pazes com a alimentação não é um bom começo?

É claro que os alimentos saudáveis como frutas, verduras, legumes, cereais integrais são importantes para uma alimentação equilibrada e para a saúde reprodutiva e devem ser consumidos diariamente. O que quero dizer é que alguns alimentos, muitas vezes reconhecidos como “proibidos” também podem ser inseridos de forma equilibrada e com muito prazer, esquecendo a culpa que normalmente vem associada a eles.

Que tal experimentar? Se precisar de ajuda, conte comigo.

Gabriela Halpern – nutricionista

 

Podemos pensar em nosso corpo da mesma forma que pensamos numa plantação… primeiro é preciso preparar o terreno, garantindo que a terra esteja fértil, com os nutrientes e o pH adequado, para receber a semente. Na sequencia devemos regar a sementinha e adubá-la com certa frequência, para garantir um bom desenvolvimento desta semente até brotar…

Processo semelhante acontece em nosso corpo quando estamos pensando em engravidar. Antes de “plantarmos” nossa semente é fundamental “prepararmos nosso terreno”, garantindo que o corpo tenha todos os nutrientes necessários para um bom funcionamento hormonal, favorecendo a fertilização e implantação do embrião.

Devemos, na medida do possível, minimizar o efeito das pragas nas plantações… Controlar o nível de estresse e adotar medidas que favoreçam nosso bem estar: alimentação mais natural e livre de químicos, corantes e acidulantes, hidratação adequada, massagens, música, exercício físico, terapia, meditação, yoga… dentre tantas outras opções que farão bem tanto para o corpo como para a mente.

Aumentam as chances do fruto nascer mais forte e saudável quando os cuidados começam desde cedo. Vale a pena se preparar para este momento tão especial!

Gabriela Halpern – nutricionista

 

Um artigo de 2014, no Journal of Nutrition, avaliou a relação entre o consumo de carne e indicadores da qualidade seminal. Um total de 155 homens de casais inférteis que buscaram ajuda numa clínica de reprodução humana participaram da pesquisa.

Os autores identificaram que o maior consumo de carne processada (frios e embutidos, como salsicha e linguiça) mostrou-se associado a uma pior morfologia seminal. Por outro lado, os homens que consumiam mais peixe apresentavam maior contagem de espermatozoides e mais espermatozoides com morfologia normal.

É provável que estes resultados se justifiquem pelo alto conteúdo de gordura, conservantes e resíduos hormonais das carnes processadas, enquanto os peixes possuem uma composição nutricional mais balanceada, com alguma quantidade de ômega 3, que exerce efeitos benéficos na qualidade seminal.

Sendo assim, os autores recomendam que consumir peixe ao invés de carnes processadas pode ter um impacto positivo na morfologia e contagem dos espermatozoides.

J Nutr 144:1091-1098, 2014

Gabriela Halpern – nutricionista