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Fertilidade Feminina


Para as mulheres, fertilidade significa a habilidade de engravidar e ter um bebê. Os anos reprodutivos da mulher começam quando ela inicia seus ciclos menstruais durante a puberdade (em torno de 13 anos). A capacidade de ter um filho usualmente acaba em torno dos 45 anos de idade, embora seja potencialmente possível para uma mulher engravidar até que seus ciclos menstruais cessem com a menopausa (por volta dos 51 anos).
Quando um bebê do sexo feminino nasce já tem em seu corpo cerca de 400.000 óvulos imaturos (oócitos). Eles são armazenados em seus ovários em sacos muito pequenos, cheios de fluido, chamados folículos. Quando ela entra na idade reprodutiva, começa a ter ciclos menstruais mensais. Durante cada ciclo, o ovário libera um óvulo (ou, menos comumente, mais do que um), que pode vir a juntar-se com o espermatozoide de um homem e dar início a uma gravidez.
O desenvolvimento e a liberação do óvulo dependem de um delicado equilíbrio de hormônios: substâncias químicas que sinalizam para que os órgãos do corpo realizem determinadas atividades. Alguns desses hormônios são produzidos nos ovários. Outros provêm de duas glândulas situadas no cérebro, o hipotálamo e a pituitária.

Hormônios Femininos


A principal característica dos anos reprodutivos da mulher é o ciclo menstrual. Esse processo, no qual um óvulo amadurece e é liberado a cada mês pronto para fertilização, é controlado por um sistema elaborado, envolvendo os hormônios gonadotróficos.
Um ciclo menstrual mensal das mulheres ocorre em três fases:
• Fase folicular: Dias 1 a 13.
• Fase ovulatória: Em torno do dia 14.
• Fase lútea: Dias 15 a 28.

O ciclo é controlado pelos seguintes hormônios:
• Hormônio folículo-estimulante (Follicle stimulating hormone, FSH)
• Hormônio luteinizante (Luteinizing hormone, LH)
• Estrógeno
• Progesterona

O dia um do ciclo menstrual é marcado pelo primeiro dia de sangramento menstrual. A primeira fase do ciclo é chamada fase folicular e tem a duração de aproximadamente 14 dias. A segunda fase, após a ovulação ter ocorrido, é chamada fase lútea.

O número de óvulos que uma mulher pode  produzir no seu tempo de vida é determinado antes do nascimento. Durante sua vida embrionária, milhões de células germinativas especiais são produzidas nos ovários. Muitas delas degeneram e o resto está pronto para desenvolver-se, tornando-se óvulos maduros com o passar do tempo.

Três meses antes da ovulação, até 300 óvulos foram recrutados para crescimento e desenvolvimento. Cada um dos óvulos fica em um saco cheio de fluido ou ‘folículo’, que o cerca e nutre-o durante o desenvolvimento. Cerca de duas semanas antes da ovulação, a secreção de FSH aumenta, estimulando o crescimento e o desenvolvimento dos folículos. Os folículos em crescimento secretam quantidades crescentes do hormônio estrógeno, que faz o tecido que recobre o útero (ou endométrio) espessar-se e promove alterações no muco cervical, que possibilitam uma penetração ótima dos espermatozóides.

Sob a influência do FSH, um folículo ‘dominante’ cresce e amadurece mais rápido do que os outros, que então degeneram. Cerca de 32 h antes da ovulação, a secreção de estrógeno atinge o seu pico, desencadeando um pico de produção de LH. Isso desencadeia a liberação do óvulo maduro a partir do folículo dominante. Os remanescentes do folículo são subseqüentemente transformados em corpo lúteo, que secreta progesterona para preparar o endométrio para implantação. Devido à progesterona, a temperatura corporal eleva-se.

Se o óvulo não é fertilizado por um espermatozóide dentro de 72 h de sua liberação do folículo, o corpo lúteo irá, no final do processo, degenerar e a menstruação ocorrerá. No entanto, se a fertilização acontece e o embrião resultante continua o seu desenvolvimento, o hCG é produzido. Isso faz com que o corpo lúteo secrete os dois hormônios, estrógeno e progesterona, para assegurar condições favoráveis para a implantação do ovo fertilizado. De fato, a presença de hCG no soro ou na urina é o primeiro indicador de gravidez inicial.

A Ovulação

As células sexuais (ou óvulos) são produzidas pelos ovários, que são os órgãos sexuais essenciais da mulher. Os óvulos são transportados e protegidos, quando deixam os ovários, pelas estruturas acessórias, as quais também servem para nutrir e proteger o embrião caso a fertilização ocorra.

Os Ovários
Os ovários são os órgãos do sistema reprodutivo feminino que produzem e liberam óvulos maduros. O corpo feminino possui dois ovários, que se localizam em cada lado do útero. Os ovários são glândulas nodulares que, após a puberdade, apresentam superfície enrugada, irregular e assemelham-se a uma grande amêndoa em tamanho e forma. A superfície dos ovários é recoberta por tecido epitelial. Debaixo do epitélio ovariano existem milhares de estruturas microscópicas, chamadas folículos ovarianos, que ficam embebidos em uma matriz de tecido conectivo, conhecido como estroma. Os folículos contêm óvulos e, após a puberdade, estão presentes em estágios variados de desenvolvimento. (O desenvolvimento dos folículos ovarianos é descrito, posteriormente, nesta seção.)

Os ovários têm duas funções primárias:
Eles produzem e armazenam os gametas femininas (óvulos) que ficam contidos em pequenas esferas, chamadas folículos primários (folículos primordiais).
Eles também atuam como glândulas endócrinas, liberando os hormônios sexuais femininos, os estrógenos (primariamente estradiol) e progesterona.

Tubas Uterinas
As tubas uterinas ou ovidutos consistem de duas tubas com aproximadamente 10 cm de comprimento, que saem do útero e acabam em projeções semelhantes a dedos, chamadas fímbrias. As fímbrias ‘pairam’ sobre os ovários, mas não estão ligadas a eles.

Durante a ovulação, a extremidade com fímbrias da tuba uterina recebe o óvulo maduro que é liberado do ovário. O meio ambiente interior da tuba uterina é bioquimicamente complexo. O ovulo permanece na tuba uterina por uns poucos dias. A fertilização normalmente acontece na extremidade distal da tuba de uterina, como pode ser visto na figura.

Se a fertilização ocorre, o embrião resultante é mantido na tuba uterina até que se desenvolva em uma pequena massa celular (blastocisto). Ele é, então, propelido ao longo da tuba uterina por uma combinação de contrações rítmicas das paredes musculares da tuba (similar às contrações musculares peristálticas do intestino) e da ação de projeções delicadas semelhantes a cabelos, chamadas cílios. O embrião é arrastado rumo ao útero, onde a gravidez pode estabelecer-se através da implantação.

O útero
O útero é um órgão em forma de pêra capaz de sofrer alterações importantes durante a vida reprodutiva da mulher. Desde a puberdade até a menopausa, a camada interna de recobrimento do útero (o endométrio) cria um ambiente adequado para implantação e desenvolvimento do embrião durante a gravidez. O recobrimento endometrial se espessa durante a fase proliferativa (primeira metade) do ciclo menstrual. Ele forma glândulas secretórias após a ovulação, à medida que é estimulado pelos hormônios liberados pelos ovários.

Se o óvulo não é fertilizado ou a implantação não ocorre, o endométrio “descama” e é excretado do corpo através da vagina durante a menstruação e é lentamente substituído no curso do próximo ciclo menstrual. O útero também apresenta contrações rítmicas, poderosas, durante o trabalho de parto, que resultam na expulsão do feto por ocasião do nascimento.

O útero é composto de duas partes principais:
A parte saliente, superior, chamada corpo do útero.
A parte estreita, mais baixa, chamada colo ou cérvice.
A porção superior do corpo do útero é chamada de fundo. As tubas uterinas abrem-se em cantos opostos do fundo e o colo abre-se para a vagina. O colo é uma estrutura semelhante a um cilindro, que conduz da extremidade superior da vagina ao interior do útero. Tem cerca de 2,5 cm de comprimento e um canal fino que passa por ele com aberturas em cada extremidade, chamadas de orifícios interno e externo, respectivamente. As paredes internas do colo contêm pequenos sacos chamados criptas, que secretam um muco alcalino, que protege os espermatozóides da acidez das secreções vaginais. As criptas também agem como reservatórios para os espermatozóides.

As paredes do útero contêm três camadas:
O recobrimento interno, chamado endométrio.
A camada muscular média, chamada miométrio.
A camada externa serosa, chamada peritônio.
A serosa secreta um fluido aquoso (seroso) que evita a fricção entre o útero e os órgãos circunjacentes. Uma visão transversal das estruturas uterinas é mostrada abaixo.

A vagina
A vagina é um órgão tubular que se estende desde o colo até a sua abertura externa. Está situada entre o reto, que fica abaixo dela, e a bexiga e uretra, as quais se situam acima dela. É composta primariamente de musculatura lisa recoberta com membrana mucosa e tem entre suas funções as de receber o sêmen do homem. Ela também serve como parte inferior do canal do nascimento e funciona como ducto excretor para as secreções uterinas e fluxo menstrual.

A vulva
A vulva é constituída dos genitais externos femininos, que ficam em torno da abertura da vagina e lubrificam a passagem.

As estruturas vulvares incluem:
O monte pubiano, um coxim de gordura coberto de pele sobre a articulação pélvica, que é recoberto por pêlos grossos na mulher adulta.
O clitóris, uma estrutura erétil similar ao pênis em indivíduos do sexo masculino.
Os pequenos lábios, que são compostos de tecido gorduroso e circundam a abertura da vagina.
Os grandes lábios, que contêm folículos pilosos e glândulas sudoríparas e sebáceas; os grandes lábios são modificados na superfície interna pelos pequenos lábios, que são unidos e não contêm folículos pilosos.
As glândulas de Bartholin, duas glândulas em forma de feijão localizadas em cada lado da abertura vaginal, que secretam fluido lubrificante.

As mamas

As mamas contêm glândulas produtoras de leite e fornecem a nutrição para o recém-nascido. Após o nascimento, a produção de leite é iniciada e mantida pela secreção de prolactina, hormônio proveniente da glândula pituitária. As mamas não são completamente desenvolvidas nas mulheres até bastante tempo após o início da menstruação. Elas estão presentes nas crianças e nos homens apenas sob forma rudimentar.